
A Microsoft recua na IA e o armazenamento encarece
A retração em promessas de IA, falhas de precisão e vigilância ampliam riscos sociais.
O r/technology hoje desenha um mapa de fricções: promessas grandiosas da inteligência artificial travam na utilidade quotidiana, o hardware entra em ciclo de escassez, e o controlo digital expande-se sob o pretexto da segurança. É um dia em que a tecnologia deixa de parecer inevitável e passa a exigir escolhas políticas, económicas e morais.
Inteligência artificial: entre o deslumbramento e o tédio funcional
Quando a própria Microsoft sinaliza travões, como no anúncio de que vai reduzir metas do assistente de escrita para o ecossistema Windows, é um termómetro da fadiga: prometer substituição da força de trabalho não convence quem só precisa de escrever um email ou organizar um ficheiro. Em paralelo, multiplicam-se testemunhos de impacto laboral, com relatos de equipas desmanteladas e salários espremidos na adoção de sistemas automáticos, como se lê no depoimento de quem foi forçado a usar estes sistemas até ser despedido. E a crítica técnica não falta: há quem sustente que a “superinteligência” é sobretudo narrativa, não engenharia, em análises como a contestação às promessas de uma mente artificial geral.
"Não creio que tenham convencido alguém sobre os casos de uso. A maioria das pessoas não faz perguntas ao computador; clica ícones, lê e percorre."- u/CobraPony67 (4134 points)
"Não conseguimos definir consciência ou inteligência humanas, nem os seus mecanismos. Como esperar replicar o que não compreendemos?"- u/True_Window_9389 (1169 points)
A utilidade cai ainda mais quando a precisão falha. O caso do chatbot que espalhou desinformação sobre o tiroteio em Bondi Beach mostra fragilidades básicas de verificação e escalada de boatos. E a promessa de “segurança automatizada” tropeça no real: um colégio na Florida entrou em alerta máximo porque um sistema de deteção visual confundiu um clarinete com uma arma. A comunidade parece menos interessada em visões messiânicas e mais focada em utilidade, responsabilidade e transparência.
Infraestrutura e confiança digital sob pressão
O mercado acusa o aperto: relatórios apontam que a Samsung pretende travar a produção de unidades de estado sólido de gama tradicional, alimentando um ciclo de preços elevados e restrição de oferta que respinga para o armazenamento de maior desempenho. No segmento doméstico de dispositivos, a veterana do aspirador autónomo entrou em processo de falência, um sinal de que a concorrência massificada e margens apertadas não perdoam tecnologia comoditizada.
"Demasiados concorrentes nesse mercado; não surpreende que estejam a cair, e provavelmente não serão os últimos."- u/Herdnerfer (1896 points)
Ao mesmo tempo, a confiança nos canais informais de conteúdos sofre um golpe com alertas de que circula software malicioso escondido em ficheiros de legendas de um torrent, explorando atalhos e scripts para infiltrar ladrões de credenciais. Hardware caro e software mais ardiloso: duas pressões que empurram consumidores e empresas para decisões prudentes e menos impulsivas.
Tecnologia como extensão do poder
Quando a censura lúdica desencadeia uma reação de massa, há lição política: meios oficiais russos reconheceram a onda de cartas e ameaças de saída do país após o bloqueio ao jogo online mais popular entre crianças. Não é “apenas entretenimento”; é sociabilidade, identidade e acesso a comunidade — e é por isso que o bloqueio dói e mobiliza.
"Afinal, a verdadeira linha vermelha são blocos virtuais."- u/Disastrous_Award_789 (382 points)
Mais a leste, a ocupação exige lealdade digital: nas zonas sob controlo russo, multiplicam-se relatos de coerção para instalar uma aplicação de mensagens usada como aparelho de vigilância total, com barreiras adicionais a serviços e comunicações para quem resiste. Quando a infraestrutura de comunicação se torna ferramenta de repressão, a discussão em tecnologia já não é sobre gadgets — é sobre direitos, autonomia e o espaço público que sobrevive no ecrã.
O jornalismo crítico desafia todas as narrativas. - Letícia Monteiro do Vale